A Terra e o Seu Povo
Babilónia (país) está situada na planície aluvial entre os rios Tigre e Eufrates, na, extremidade leste do Crescente Fértil na Asia Ocidental. Com apenas 65 quilómetros de extensão, ela abrange aproximadamente 20.000 quilômetros quadrados, e é quase do tamanho de New Jersey, nos Estados Unidos. A cidade da Babilônia (q.v.) era a sua capital, e o país era chamado de “terra de Sinar” (Gn 10.10; 11,2; Is 11.11) e de “terra dos caldeus” (Jr 24.5; 25.12; Ez 12.13). Ela faz fronteira ao norte com a Assíria; a leste, com as planícies ao pé dos montes Zagros; ao sul, com o Golfo Pérsico e, a oeste, com o Deserto Árabe, do qual está separada apenas por uma estreita faixa. Os depósitos de lodo, carregados pelo Tigre e pelo Eufrates em seus cursos em direção ao Golfo Pérsico, estendem a área em aproximadamente 24 metros a cada ano, ou 2,4 quilômetros a cada século. Alguns estudiosos acreditam que a taxa de depósito tenha sido muito maior na antiguidade.
O clima é extremamente quente no verão. A temporada de chuva continua de novembro a fevereiro, mas a soma de toda a chuva durante estes meses é inferior a 250 milímetros. A fertilidade do solo era fantástica. Duas colheitas a cada ano e colheitas de 50 a 100 vezes o número de sementes plantadas não eram fatos desconhecidos na antiguidade. Canais e irrigação, bem dispostos e adequadamente cuidados, eram adicionados à produtividade do solo, que era enriquecido anualmente pelo lodo trazido aos vales pelas inundações anuais do Tigre e do Eufrates. Alguns autores antigos chamaram a Babilônia da cesta de pães do mundo, e berço da civilização – o local do Jardim do Éden. Entretanto, a negligência do cultivo por um longo período trouxe à Babilónia um árido deserto. Apenas os aterros e as valas visíveis atestam a presença e os cursos daqueles antigos canais de irrigação tão vitais para as abundantes plantações que, outrora, preenchiam a planície babilônica. A estimativa recente da população dessa área é de 7 milhões de pessoas, mas ela poderia abrigar 50 milhões utilizando todo o potencial do Tigre e do Eufrates.
O trigo era a principal safra, enquanto o gergelim também era cultivado. As tamareiras foram introduzidas pela Arábia, provendo aos habitantes: vinho, vinagre, mel, açúcar, farinha para cozer, esteiras para trabalhos de vime, madeira para a construção e até mesmo alimento para engordar bois e ovelhas. O homem podia viver quase que exclusivamente do fruto da tamareira. As canas que cresciam ao longo dos canais do rio eram usadas na construção de barcos e para cercar os campos.
Os sistemas aos canais praticamente uniam o Tigre ao Eufrates, e se tornavam meios de transporte assim como fontes de irrigação. Um deles era chamado de “o canal real” e unia os dois rios com água suficientemente profunda e extensa para transportar grandes embarcações. A tradição afirma ser este o canal construído por Ninrode, enquanto outros estudiosos e críticos o atribuem a um rei babilônio. O Salmo 137.1-2 fala dos rios (canais) da Babilônia. Leões, panteras, chacais, raposas, javalis selvagens e bois selvagens vagavam pelos pântanos, enquanto bois domesticados, carneiros, cabras, jumentos e cães serviam às necessidades do homem no serviço doméstico. Os elefantes, os jumentos selvagens e os camelos também eram conhecidos.
Visto que as pedras eram extremamente escassas na planície aluvial, e as tamareiras eram de qualidade inferior para fins de construção, a maioria das cidades na Babilônia foi construída em morros com o uso de tijolos secos ao sol e pelos calcinados em fomo, feitos do barro abundante encontrado em toda parte. Os tijolos variavam consideravelmente em tamanho e muitos deles eram estampados com o nome do rei para cujo uso eles eram feitos, o que ajuda consideravelmente a decidir a cronologia e a história de muitas estruturas. Os tijolos calcinados em fomo eram usados para dar acabamento à camada exterior de construções públicas e em importantes estruturas de alicerce; por causa de sua resistência às intempéries, eles duravam mais do que os tijolos secos ao sol. As pedras eram importadas quando necessário para monumentos especiais ou para outras necessidades de construção.
Nos primeiros períodos, o pais era dividido entre os acádios ao norte, e os sumérios ao sul. A cidade da Babilônia, Borsipa, Quis, Kutha, Sippar e Acade (fundada por Sargão I) eram cidades acádias; Ur (o lar do patriarca Abraão), Eridu, Nippur, Lagash, Umma, Larsa e Ereque eram cidades sumérias Algumas dessas cidades datam de 4000 a.C., sendo possivelmente até mais antigas.
Os sumérios falavam uma língua aglutinativa (como a língua turca) que pertence a um grupo não especificado de línguas chamado, por conveniência, de turaniano. Eles desenvolveram uma escrita cuneiforme, originada de uma forma de escrita píctográfica anterior. A língua falada pelos babilônios pertence ao grupo das línguas semíticas do norte, e está relacionada com o fenício, o aramaico e o hebraico. Ela foi chamada de cuneiforme a partir do termo cuneus, do latim – “cunha”; esta era a forma dos sinais que vinham do estilo (ou “buril”) usado para formar os símbolos, A escrita corria da direita para a esquerda sem espaços entre as palavras. A escrita era, geralmente, feita em tábuas de barro, praticamente indestrutíveis quando assadas. Assim, extensos registros da Mesopotâmia têm sido preservados e grandes coleções têm sido descobertas pelos escavadores. Os acádios – embora tenham derrotado os sumérios – tomaram emprestada a sua forma de escrita, modificaram-na e tomaram-na a base de todas as formas de escrita cuneiforme, que continuaram existindo até um século antes da era cristã.
A origem do povo sumério é incerta. Alguns estudiosos vêem na raiz w a raiz básica sm (shem) com um complemento fonético “r”, e assim consideram que eles são descendentes de Sem, sendo deste modo realmente um povo semítico. Pelos monumentos que eles deixaram, nota-se que seus traços faciais assemelham-se com os asiáticos, e das árvores e animais retratados em seus brasões cilíndricos, tem sido conjeturado que eles vieram das montanhas do norte e do leste. Seus trabalhos com metais e jóias marchetadas nunca se sobressaíram.
Desenvolvimento histórico
A princípio, as cidades da Babilônia eram reinos independentes – cidades-estado. Mas, finalmente, centros de dinastia começaram a surgir para proteger a área de invasores e para organizar o indispensável sistema de irrigação. Em aprox. 2500 a.C., Ur estabeleceu uma hegemonia sobre grande parte da região suméria. Sargão I de Acade, em aprox. 2350 a.C., criou, em um sentido Teal, um império semítico quando derrotou todas as cidades sumérias e fundou a cidade de Acade (ou Agade) como a primeira capital do Império Semítico. Sua dinastia continuou até aprox. 2200 a.C.
Entre os primeiros conquistadores da Babilônia estavam os gutianos e os amorreus. Hamurabi (no século XVIII a.C.), um amorreu, liderou a Babilônia em uma campanha vitoriosa contra as cidades vizinhas e a transformou na capital de um império político. Sua administração era excelente, grandes trabalhos de caráter público foram instituídos, a lei e a ordem prevaleceram, e Hamurabi imortalizou sua fama através da codificação das leis que ficaram conhecidas como o código de Hamurabi. Esse era um código legal que protegia os interesses dos nobres e favorecia os interesses das classes superiores. Muitos estudos comparativos dos códigos hebreus e dos de Hamurabi têm sido feitos. Embora pareça haver muitas semelhanças, as diferenças são maiores do que as semelhanças, A lei hebraica foi única em seu elevado monoteísmo, em sua rejeição à administração da justiça de acordo com a classe social das pessoas, e em seu conceito de lei moral.
Depois que a dinastia Hamurabi chegou ao fim no século XVI a.C., a Babilônia não figurou mais de forma expressiva na história mundial, até que o império caldeu de Nabucodonosor (século VI a.C.) tornou-se o terror da Ásia ocidental.
